Baixe o AplicativoBaixe o App

(43) 3274-8000Tel.

Catálogos

HOME
INSTITUCIONAL
DISTRIBUIÇÃO
FOOD SERVICE
INDÚSTRIA
AGRO
BLOG
CONTATO

Canetas emagrecedoras, bets e jornada 6 x 1 pautam apresentação do Ranking

Blog


A apresentação do estudo foi conduzida por Claudia Rivoiro, editora-chefe da Revista Distribuição, e contou com a participação de Leonardo Miguel Severini, presidente da ABAD e da UNECS; Domenico Tremaroli, diretor da Vertical Varejo da NielsenIQ Brasil; Fabricio Alves, diretor de Produtos da TARGIT; e do professor Nelson Barrizzelli, da FIA. Após a divulgação dos resultados do Ranking, os convidados responderam às perguntas enviadas pelos participantes da transmissão.
Entre os diversos assuntos debatidos, quatro temas concentraram a maior parte das perguntas e comentários: o impacto das canetas emagrecedoras e da busca por saudabilidade no consumo, os efeitos das apostas on-line sobre a renda das famílias, o endividamento do brasileiro em um cenário de juros elevados e a possível redução da jornada de trabalho no país.
Saudabilidade e canetas emagrecedoras
A transformação dos hábitos de consumo apareceu como um dos principais pontos de atenção para o setor. Durante o debate, Domenico Tremaroli destacou que tendências ligadas à saudabilidade vêm crescendo rapidamente no Brasil e já movimentam o varejo.
Segundo ele, produtos posicionados como mais saudáveis, mesmo custando entre 10% e 15% acima das versões tradicionais, estão ganhando espaço e desempenho relevante nas gôndolas. Nesse contexto, as chamadas canetas emagrecedoras passaram a ser vistas como parte de um movimento mais amplo de mudança no comportamento do consumidor.
Nelson Barrizzelli chamou atenção para o impacto dessas medicações sobre o orçamento familiar. Para ele, o alto custo mensal do tratamento pode gerar substituição de consumo, especialmente entre famílias de menor renda. “Provavelmente haverá troca de produtos de melhor qualidade por produtos de menor qualidade”, afirmou.
Já Domenico trouxe uma visão mais estratégica sobre o tema. Segundo ele, apesar da tendência de redução de consumo em algumas categorias tradicionais, surgem oportunidades para o varejo explorar novos segmentos, como alimentos proteicos, frutas e legumes, produtos que tendem a ganhar espaço entre consumidores que utilizam essas medicações.
Leonardo Severini também comentou o assunto, reforçando que não vê problema no uso das canetas desde que exista prescrição e acompanhamento médico adequado.
Problema das bets
Outro tema que gerou forte repercussão foi o crescimento das apostas online e seus impactos sobre o consumo das famílias brasileiras.
Nelson Barrizzelli afirmou que as bets vêm se consolidando como um fator de redução da renda disponível para consumo, principalmente porque parte da população passou a enxergar as apostas como uma possibilidade de complemento financeiro. “Quando, na verdade, a bet reduz a renda”, destacou.
Leonardo Severini reforçou a preocupação do setor com o avanço desse comportamento, especialmente quando as apostas deixam de ser entretenimento e passam a gerar ansiedade financeira nas famílias. Segundo ele, o problema ocorre quando o consumidor passa a considerar a aposta como renda complementar.
O debate também relacionou esse cenário ao aumento do endividamento das famílias brasileiras, considerado um dos principais desafios atuais para a retomada mais consistente do consumo. Isso porque o próprio estudo do Ranking traz dados preocupantes. Segundo apresentado, os jogos de azar já movimentam R$ 360 bilhões no mercado brasileiro. A pesquisa indica que, hoje, 26% dos lares brasileiros declaram jogar regularmente, número que dobrou desde o ano passado. Além disso, mostra que 1 a cada 10 apostadores reduzem os gastos de casa para manter a participação nas bets.
Juros altos, endividamento e consumo pressionado
O comportamento do consumidor diante do cenário macroeconômico também dominou o debate. Domenico Tremaroli destacou que o brasileiro está circulando mais entre diferentes canais em busca de alternativas que caibam no orçamento, movimento que beneficia formatos variados do varejo e do canal indireto.
Já Nelson Barrizzelli avaliou que o endividamento das famílias está diretamente ligado à combinação entre necessidade de consumo e renda insuficiente, agravada pelo atual patamar da taxa de juros brasileira.
Segundo ele, juros elevados acabam limitando o poder de compra da população e reduzem a capacidade de expansão do consumo. O professor também afirmou que o equilíbrio fiscal é fundamental para permitir queda sustentável da taxa de juros e recuperação mais sólida da economia.
Leonardo Severini acrescentou que, embora o setor atacadista distribuidor seja historicamente mais capitalizado e menos dependente de grandes investimentos estruturais, o cenário de juros elevados reduz o ritmo de expansão e inibe novos investimentos.
Redução da escala 6×1
As possíveis mudanças na jornada de trabalho também concentraram perguntas do público. Leonardo Severini afirmou que o setor empresarial ainda precisa ser mais ouvido no debate sobre redução da jornada e mudança da escala 6×1.
O executivo destacou a diferença entre escala de trabalho e jornada efetiva de horas trabalhadas, alertando que alterações em ambos os formatos podem elevar significativamente os custos das empresas e impactar diretamente os preços das mercadorias.
Nelson Barrizzelli também demonstrou preocupação com possíveis perdas de produtividade, principalmente no varejo e no setor de distribuição. Ele lembrou que um dos principais indicadores do varejo é justamente a relação entre vendas e horas trabalhadas.
Para os especialistas, o tema exige aprofundamento técnico e diálogo entre setor produtivo, trabalhadores e governo para evitar impactos negativos sobre produtividade, emprego e inflação.

FONTE: ABAD 13/05/26
IMAGEM ILUSTRATIVA – DIVULGAÇÃO

Tag(s):

 

Ao navegar em nosso site você concorda com nossa Política de Privacidade. Ok